|
No tempo em que a Capital da Província
não chegava a cobrir três colinas, em
que as construções começaram a ser
mais valiosas, começou-se a pensar em
combater as chamas. Em caso de
incêndio, mulheres, homens e crianças
ficavam em fila, e, do poço mais
próximo iam os baldes passando de mão
em mão, até chegarem ao prédio em
chamas. Em 1851 foram aprovadas as
primeiras posturas municipais
relativas aos casos de fogo, tomadas
em conseqüência de um incêndio havido
em dezembro de 1850, na Rua do
Rosário, hoje XV de Novembro, com a
aquisição de 2 bombas que não foram
utilizadas até 1862, pois nesses 12
anos, não ocorreu um único incêndio.
Em 1870, novo incêndio, nova "turma de
bombeiros", e, mais 7 anos sem
ocorrências.A 10 de março de 1880,
começaram oficialmente os trabalhos de
extinção de incêndio na Capital do
Estado de São Paulo, com a criação da
Seção de Bombeiros composta de 20
homens.
Eis a íntegra da lei:
"Artigo 1º - Fica o governo
da província autorizado a organizar
desde já uma Secção de Bombeiros,
anexa à Cia de Urbanos da capital e
a fazer aquisição de maquinismo
próprio para a extinção de
incêndios."
"Artigo 2º - Para essa
despesa, é o governo autorizado a
abrir um crédito de 20:000$00,
revogadas as disposições em
contrário." |
A Seção criada ficou ocupando uma
parte do prédio onde funcionava a
estação central da Companhia de
Urbanos, na Rua do Quartel (hoje
Rua 11 de Agosto), sendo
requisitado o material necessário
para sua formação.
O Chefe de Polícia, Dr. João
Augusto de Pádua Fleuri, incumbido
pelo Presidente da província, foi
à Capital do país a fim de
providenciar os materiais
necessários para o levantamento do
núcleo de bombeiros.
Trouxe ele duas bombas vienenses,
uma das quais doada pelo governo
Imperial, que eram muito
importantes, pois tinham força
suficiente para projetar água ao
telhado de prédios de 2 (dois)
andares (construção de taipa, com
altura de 8 a 9 metros). Foram
também adquiridos na época, pipas,
mangueiras e outros materiais
necessários à extinção de fogo.
Da então Capital do país vieram
alguns homens que haviam servido
no Corpo de Bombeiros local, que,
com alguns recrutas de São Paulo,
completaram o efetivo do núcleo de
soldados do fogo. O primeiro
comandante da Seção, em 1887,
depois de muitos pedidos,
secundado pelo Chefe de Polícia,
recebeu da Corte mais alguns
aparelhamentos. Esses materiais
vieram preencher falhas de que se
ressentia a Seção. Entre elas veio
para São Paulo a primeira bomba a
vapor, denominada "Greenwich".
Surgiu, então, o problema da
acomodação do material adquirido,
que não seria possível no prédio
da Central de Urbanos. Em vista
disso, em 1887, a Seção foi
transferida para o prédio da Rua
do Trem (hoje Rua Anita Garibaldi,
local da atual sede do Corpo de
Bombeiros).
Em 1888, já era insuficiente o
efetivo de 20 homens e, por isso,
o governo provincial elevou a 30 o
número de praças.
Naquela época, os avisos de
incêndios eram transmitidos por
meio de rebates nos sinos das
igrejas ou por comunicações
verbais de particulares, que
corriam até a porta do quartel de
bombeiros para tal fim.
Até a proclamação da república, a
Seção de Bombeiros de São Paulo
teve três comandantes, o primeiro
deles foi o tenente José Severino
Dias, que assumiu o comando em
julho de 1880, iniciando de
imediato os trabalhos de
organização dos serviços de
combate a incêndios, de instrução
e da instalação da Seção. Procedia
do Corpo de Bombeiros do Distrito
Federal, onde tinha o posto de
alferes. Em 1883, a pedido, foi
substituído por poucos dias e
interinamente, pelo Tenente Manoel
José Branco, do Corpo Permanente
da Guarda Urbana. Logo depois, foi
nomeado o Tenente Alfredo José
Martins de Araújo, que era também
oriundo do Corpo de Bombeiros do
Distrito Federal.
Após um aumento brusco no efetivo
sem o tempo necessário para o
treinamento e instrução dos novos
bombeiros, que num total de 168
homens compunham a então Companhia
de Urbanos, em outubro de 1891
assume o comando o capitão José
Maria O’ Connel Jersey, um rígido
e disciplinado oficial de
engenharia que a dissolve,
reorganiza, e cria em 14 de
novembro do mesmo ano, o Corpo de
Bombeiros com 240 homens melhor
selecionados.
Nesse período, a Companhia
Telefônica montou 50 aparelhos
para agilizar o aviso de incêndio.
No local da ocorrência era
utilizada a corneta e nas ruas era
usado o sistema alemão que só
seria desativado por volta de
1920. São também criadas as
oficinas de conserto e manutenção
dos materiais que o Corpo já
dispunha.
Em abril de 1896 são inauguradas
50 caixas de aviso e incêndio
chamadas "Linhas Telegráficas de
Sinaes de Incêndio" com
aproximadamente 70 Km de extensão,
operadas por civis graduados
militarmente.
Em 1910, foram adquiridos na
Inglaterra os primeiros veículos
automotores, junto à empresa
Merrryweather & Sons, num total de
seis (três para o combate ao
fogo), a serem entregues em 1911,
ano em que foi inaugurado o
popular sistema de alarme Gamewell,
americano, com 146 caixas e que
sob a manutenção do Corpo
funcionou por mais de quatro
décadas.
Todo o material de tração animal
foi desativado em 1921. Com o
desenfreado crescimento da cidade,
porém, os automóveis adquiridos
não eram suficientes. Entra em
cena então a criatividade dos
bombeiros. Foram aproveitadas duas
bombas a vapor que pertenciam ao
equipamento recém aposentado e
adaptadas sobre dois chassis
(Mercedes Saurer e Fiat), e o
Corpo ganhou mais dois veículos.
Um oficial chamado Affonso Luiz
Cianciulli (que mais tarde
chegaria a comandar a instituição)
projetou e custeou do próprio
bolso o desenvolvimento de uma
bomba, que se tornou o primeiro
equipamento de combate a incêndios
fabricado no Brasil. Batizado de
"Bomba Independência", fez sua
apresentação no desfile da Pátria
de 1922.
Os bombeiros começaram a se
expandir para o interior em 1943,
através de acordos com as
municipalidades, iniciando um
processo de organização a nível
estadual. Existiam no efetivo
dessa época 1212 homens.
Em 1955 é inaugurada a rede de
rádio, facilitando a comunicação
entre as viaturas e o quartel, que
informava o melhor caminho, a
evolução da ocorrência,
centralizava os pedidos e os
distribuía de forma racional entre
os Postos. Um ano depois foram
desativadas as caixas de alarme,
mas o seu sucessor, o telefone,
ainda não atendia totalmente as
necessidades da população. Havia
poucos aparelhos e o número não
era de fácil memorização. Somente
23 anos depois seria adotado o
número de emergência 193.
Em 1964 inaugura-se a Companhia
Escola e é criado o Curso de
Bombeiro para Oficiais. Em 1967 a
Estação Central (localizada à
Praça Clóvis Bevilácqua) é
demolida para a edificação de uma
nova, concluída somente em 1975.
Reflexo dos catastróficos
incêndios dos edifícios Andrauss
(1972) e Joelma (1974) onde
centenas de vidas foram ceifadas,
são importados auto-bombas,
auto-escadas, auto-plataformas,
veículos de comando e de apoio e
todas as viaturas passam a contar
com rádio, além do aperfeiçoamento
das exigências legais quanto aos
aspectos de prevenção de
incêndios.
Em 1990, visando melhorar a
qualidade do atendimento
pré-hospitalar das ocorrências de
salvamento, é implantado o sistema
de Resgate na Grande São Paulo e
em mais 14 municípios, contando
com pessoal, veículos
especializados e apoio de
helicópteros.
Veja também:
Cronologia
/ Quartel
Central
|