ESTUDO DAS ONDAS
..........................................................................................................PERIGOS

As ondas causam problemas aos visitantes das praias por causa de sua tremenda força e energia, tanto para a frente, em direção à praia, quanto para baixo, quando quebram.

Muitas pessoas subestimam a força contida numa onda quebrando, e podem ser feridas pelo movimento para frente de uma onda. O movimento para frente das ondas pode derrubar banhistas, machucá-los ou colocá-los à mercê da água que rapidamente reflui depois de quebrar na praia (repuxo).

O movimento para baixo das ondas pode violentamente empurrar um banhista ou surfista para baixo, causando sérios traumas à cabeça, pescoço, costas e outras partes do corpo. 

Ondas mergulhantes (caixote) em praias de tombo são particularmente responsáveis por causar ferimentos no pescoço e nas costas por causa da energia dispendida tão rapidamente na água rasa.

Durante os remansos (períodos calmos entre séries de ondas), contudo, frequentadores das praias geralmente se aventuram mais do que deviam, para sofrer as consequências quando as séries maiores retornarem. Esta situação pode ser ilustrada pelo fato de que é durante tais remansos, imediatamente seguintes a séries mais altas, que as correntes de retorno e as laterais são mais fortes.

ESTUDO DAS ONDAS

No estudo das ondas está um importante conhecimento para o domínio do mar e o trabalho preventivo nas praias.

As ondas de águas abertas ou ondas de superfície são forças cíclicas de energia na superfície da água.

Quando em alto mar, estas ondas de energia simplesmente fazem com que a superfície da água se mova para cima e para baixo, no plano vertical, sendo muito difícil que se mova para a frente, exceto em condições muito tempestuosas.

Com poucas exceções, tais como atividade sísmica e força da maré, as ondas são formadas pelas forças do vento contra a água. Mesmo observadores casuais podem perceber ondulações se formarem em águas calmas quando sopra uma brisa. À medida que aumenta a intensidade dos ventos, aumenta o distúrbio causado na superfície das águas, formando-se então as ondas. Ondas maiores podem ser criadas por ventos fortes locais, próximo à praia, mas ondas ainda maiores são formadas por tempestades em alto-mar. Estas ondas formadas pela ação do vento frequentemente viajam por milhares de milhas em mar aberto, antes de a energia do vento ser dissipada com a quebra das ondas na praia.

Três valores principais contribuem para o tamanho e força das ondas geradas pelo vento:

  1. intensidade do vento
  2. distância viajada por sobre a superfície da água
  3. duração do vento

As ondas podem ser medidas de diversas maneiras, tais como:

  • PERÍODO DE UMA ONDA: o tempo que leva para duas cristas de ondas consecutivas passarem em um dado ponto
  • COMPRIMENTO DE UMA ONDA: a distância horizontal entre duas cristas (ou cavados)
  • ALTURA DA ONDA: a distância vertical entre a crista e o cavado de uma onda
  • VELOCIDADE DA ONDA: a velocidade pela qual uma série de ondas avança

Podemos distinguir nas ondas seus três componentes:

  1. CRISTA: a parte superior da onda, que se projeta além da linha da água do mar
  2. VENTRE: a parte inferior da onda que permanece dentro da massa d'água
  3. BASE: é a parte da onda que se liga com a linha d'água

Devemos ainda observar:

Se todas as ondas que chegam à praia vêm de uma única fonte, as ondas tenderiam a ser regulares na aparência e, portanto, com razoavelmente consistentes período, comprimento, altura e velocidade.

Isto é raro, pois muitas tempestades podem contribuir para a energia formadora da onda até que ela finalmente chegue à praia. Quando dois ou mais trens de ondas colidem e se misturam, a aparência da superfície da água também muda.

Quando ondas de dois ou mais trens encontram crista e cavado elas tendem a se cancelar mutuamente e dispersar a energia que carregavam, reduzindo a altura da onda. Ao contrário, quando duas ondas de diferentes trens se encontram crista com crista ou cavado com cavado, a altura resultante da combinação pode ser altamente aumentada em relação às alturas individuais. Dentro desses trens de ondas ou através da sua interação, podem surgir as chamadas ondas rebeldes, que diferem totalmente das outras ondas do trem ou da série, sendo muito maior que as demais.

Visualmente, a mistura de trens de ondas que chegam à praia resulta em série de ondas. Estas são grupos ocasionais de ondas maiores entremeados de um grande número de ondas menores. Quando os trens de ondas entram em fase, combinando seus padrões, as ondas aumentam em tamanho. Em outras vezes, quando elas estão fora de fase, as ondas são menores e irregulares. Surfistas às vezes terão que esperar bastante, bem longe da arrebentação, aguardando a formação de séries maiores

As séries de ondas podem ser perigosas. Nadadores inexperiêntes podem entrar no mar durante o remanso e depois serem surpreendidos por ondas superiores às suas capacidades. Pessoas a pé, mais perigosamente ainda nas costeiras e pedras, são às vezes feridas ou até mortas quando séries de ondas inesperadamente altas os atingem.

Um fenômeno curiosamente importante associado com as séries de ondas que ocorre é que as correntes tipicamente puxam mais fortemente durante o remanso, logo em seguida à entrada de uma série.

As vagas, em quase todas as praias, vêm de uma direção previsível, a menos que seja alterada por tempestades, e mudam de acordo com a estação do ano. A direção das vagas é tamabém conhecida como direção das águas. À medida que muda a direção das águas há o favorecimento para a formação de correntes de retorno, em razão da movimentação dos sedimentos arenosos no fundo das praias.

Quando as ondas se aproximam das praias, elas se refratam, isto é, elas dobram para se amoldarem à linha costeira. Mesmo as ondas que se originam num ângulo agudo à praia tendem a enrolar-se sobre sí mesmas próximo e paralelamente à praia, antes de quebrar.

A refração é um importante conceito para surfistas, porque geralmente quanto mais diagonal à praia for a aproximação, melhor. Quando as ondas quebram na praia inteiramente refratadas, em ângulo perpendicular, elas são difíceis de surfar e produzem corridas curtas. Por outro lado, quando as ondas atingem a praia em ângulo, a quebração se move lateralmente à linha da praia, permitindo longas corridas.

As vagas são chamadas ondas de superfície se estiverem se movendo em águas mais profundas que 1/2 de seu comprimento.

A velocidade das ondas diminui à medida em que se aproximam de águas mais rasas. Quando isto ocorre, a onda de superfície se chama onda de água rasa. O comprimento diminui, a altura aumenta e a velocidade é reduzida, mas o período permanece inalterado. Se a profundidade continua a diminuir, a onda torna-se íngreme, ficando maior e maior. Finalmente quando atinge 1,3 vezes sua altura, ela não pode suportar-se mais e a crista se precipita para a frente, caindo e formando a quebração. O restante da água que se move para a praia corre até que toda sua energia seja dispersada. Então a força da gravidade empurra a água de volta para o mar.

O contorno do fundo tem uma decisiva influência na maneira sobre a qual a onda quebra. Quando uma grande vaga é forçada a gastarsua energia rapidamente na colisão com um coral ou inclinação submersa, a crista da onda tende a se precipitar ou atingir rapidamente seu pico, fazendo com que a água se misture com o ar e forme espuma ou água branca.

Um fundo que se inclina gradualmente para o raso forma uma onda que derrama mais suavemente, com uma pequena espuma de água branca sendo empurrada à sua frente, quebrada, em sua jornada para a praia. Estas ondas suaves produzem menos som que ondas mergulhantes, que espirram no céu quando ar e água são comprimidos juntos.